domingo, 28 de Setembro de 2014

.........................SINAIS PREMONITÓRIOS....................



Sinais  premonitórios




Preâmbulo

Pressentir  sinais que   precedem as catástrofes  é um dom  reservado a   alguns  seres vivos  possuidores de um sexto sentido.



 Dizem que as grandes tempestades na sua   aproximação  ionizam    as moléculas da  atmosfera , a  distância do seu epicentro.   Quando ainda  nada  as permite adivinhar  , algumas espécies  ( de que fazem parte   alguns humanos),  sensíveis   àquela alteração físico - química ,   pressentem-na  e   resguardam-se a tempo, antes de  as folhas amputadas virem a  encorpar os redemoinhos na  sua derradeira dança .   

É  referido , pelos sobreviventes, o  estado de ansiedade dos animais que antecipa as catástrofes tectónicas ,  quando ainda reina a bonança e os outros prosseguem distraídos na sua faina; um   impulso  de  força sobrenatural   permite que alguns se libertem de  correntes solidamente  fixadas,   que os condenariam como aos demais à morte.


As  sociedades humanas  são afectadas  frequentemente por catástrofes político-  económicas  incomparavelmente mais  devastadoras do  que as naturais.  Indagamos o destino dos homens  que   pressentiram  e se opuseram à  organização política  subterrânea  que conduziu ao    nazismo  e   se saldou  num redemoinho sinistro que durante 6 anos ceifou entre  50 e 70 milhões de vidas inocentes…..

Infelizmente,  os sinais premonitórios que indiciam as mudanças de regime, na maior parte das vezes  não são  identificados  pelas sociedades  adormecidas  no  embalo dos  média alienados e  manipulados e  que actuam como   cavalos de Tróia de  interesses políticos e financeiros. Esta manipulação traduz-se não só pelo  que se publica ou transmite,  mas igualmente pelo que não se publica  e omite ou a que  não se dá relevo.

  Quando acordamos   é tarde  e já nos  encontramos  subjugados pela  teia tecida  por aqueles em que confiamos , mas que  deliberadamente nos  enganaram   ou simplesmente se  mostraram débeis e se deixaram  seduzir pelos poderes fácticos .


-É o que tem sucedido com a privatização do SNS, que  em artigo anterior neste Blog  já  analisámos.
http://campanhapelohde.blogspot.pt/2013/11/a-reforma-da-rede-hospitalar-de-lisboa.html

- Esta é também a  causa primeira da destruição em curso do único hospital pediátrico de Lisboa. 


“ Melhor negócio  do que a saúde só 
o das armas”  ( declaração  de Isabel Vaz,  gestora do Grupo BES  Saúde e da qual se diz, e acreditamos, ter sido a primeira escolha de Passos Coelho para Ministra da Saúde. https://www.youtube.com/watch?v=tZYdk2emu48   

 Esta frase casual foi proferida ( assim o julgamos) sem a  preocupação ou consciência da substância cruel dos seus termos. Seria confortante  que assim fosse, pois a hipótese contrária, do ponto de vista teórico  e ético,  seria    incompatível com a sua função de  prestação de serviços com  cariz  humanitário como são os da saúde. Dissemos "teórico",  pois de acordo  com artigos recentes do Jornal de Negócios  as “qualidades” exigidas actualmente aos gestores aproximam-se de forma assustadora das do carácter dos   psicopatas perigosos. 
. "Dentro da cabeça dos poderosos", Susana Moreira Marques, Jornal de Negócios de 19/09/2014; “A revolução altruista esta a caminho” Mathieu Ricard citando o livro de Robert Hare “Snakes in Suits . When Psychopaths Go do Work” Jornal de Negócios de 17/010/2014  

Independentemente das suas  intenções, consideramos que a   formulação empregue  pela Dra. Isabel Vaz, por um lado,  não  é explícita  sobre   a razão  do “seu interesse” quanto à saúde dos seus "clientes" e, por outro, quanto às razões  que obrigam  o paciente   a procurar os  serviços de saúde  do grupo financeiro que representa.
O que a (os) motiva não  é a saúde do próximo mas sim e simplesmente o lucro. Não fosse assim e não se dedicaria a esta área.
 Este comércio não é de tipo convencional e  não resulta da compra da “mercadoria saúde”,   num acto de  livre  escolha / arbítrio pelo  cliente / ser humano livre; mas, ao contrário , da impossibilidade de escolha e arbítrio de  um individuo que se encontra involuntáriamente  ferido,  diminuído,  em  sofrimento, quer  por  deficiência  física ou  psíquica: o que o  coloca, sem opção,  em estado de dependência absoluta perante o prestador e eventualmente  sem alternativa de escolha.  Desta forma, não  se trata de um comércio entre iguais, antes se aproximando  do conceito de “chantagem” por parte do prestador. Mais  próxima ainda  de um acto de  chantagem quanto  envolve factores emocionais como acontece na população pediátrica. ( ver artigo no Blog dos Médicos Canadenses . “ A Saúde das nossas mães e crianças é demasiado importante para ficar na dependência dos privados)
Desculpe, Madame...mas  seu cartão de crédito não autorizou a despesa.......

Nesta  perspectiva o ser humano deu lugar ao “cliente”; caso não disponha ele de meios de pagamento , “a sua saúde” deixa de interessar e    restar-lhe-á  a saída pela porta traseira, por onde se escoam os   dejectos do vistoso  hospital privado e/ ou a  sua eventual  transferência para o serviço público,  intencionalmente descapitalizado  e desprestigiado por  ministros  estrategicamente  escolhidos pelos grupos financeiros que financiaram as campanhas eleitorais.  
O artigo abaixo é exemplar no que diz respeito as ligações do  BES
http://www.sabado.pt/Special-Pages/Print.aspx?printpath=/Multimedia/FOTOS/Dinheiro/Salgado-ligado-a-tudo&classname=Article.Media

Sobre o outro tópico  da comparação da Dra. Isabel Vaz; o paralelo que estabelece entre a  mercantilização da  doença e a da ultra-  lucrativa indústria de armamento, consideramos  que é coerente com o seu pensamento    pois  ambas se alimentam do sofrimento humano e apenas diferem em grau,  que na  segunda  se eleva ao   absurdo apocalíptico.


Em síntese,  consideramos que deve ser assumido um  limite ético quanto ao que  pode ser objecto de comércio não regulamentado . Julgamos que  este  limite coincide com prestações / serviços que, caso não venham a ser  satisfeitos,  possam  vir a pôr em causa a nossa capacidade de   sobrevivência como indivíduos autónomos; sendo que  o seu monopólio privado, colocando  a  decisão de os tratar sujeita à disponibilidade  financeira dos cidadãos poderá   configurar  uma forma objectiva de   chantagem.  
 O SNS, para além de constituir  um  regulador que garante o atendimento de   qualquer indivíduo  independentemente da sua situação financeira,  é um dos  fundamentos  da existência de uma sociedade digna.  





A titulo de exemplo, citamos o ocorrido com uma pessoa conhecida
 que recorreu a um Hospital Privado de Lisboa mas que que  devido
 ao pressuposto de o seu familiar  necessitar de cuidados intensivos foram-lhe
 exigidos 3000 euros como sinal, sem oque não poderia seria admitida....!  
























"(...) que romantismo pensar que a economia não pode transformar os homens em bestas”.  Salman Rushdie,  1989



A serenidade  (que chega a ser cativante)  de  Isabel Vaz nesta entrevista tem uma dupla interpretação. A menos óbvia  é a   de ser mais  um  “sinal de alerta” de que uma ideologia  fria e desumana, que subiu à ribalta na sociedade portuguesa  e  que já  se  consolidou   como  cultura  oficializada   e  assumida  com   naturalidade pelas  “elites”  financeiras e  os seus quadros intelectuais e  técnicos  nomeados para  organismos estratégicos.




Não se trata de um ataque pessoal à  Dra. Isabel Vaz, que apenas representa  uma das faces da ambígua natureza humana de que  fazemos parte e  que  compartilha o  capital genético de  predadores porventura inteligentes mas profundamente  egocêntricos.  De forma titubeante a humanidade tem tentado   ultrapassar com sucessos e insucessos,  através dos preceitos humanisticos  de algumas religiões,  da filosofia, da economia política,   que  mais recentemente inspiraram as revoluções democráticas; pior ou melhor, ou mesmo mal  sucedidas,  mas   cujo  pressuposto genérico  assume  que  todos   nascemos com direitos iguais.  Trata-se de um processo longo, com inegáveis progressos mas também com retrocessos temporários .
A titulo de exemplo no século XVIII ainda existiam  escravos em Lisboa, hoje impensável (Os  Escravos na Lisboa Joanina - Delminda Rijo CML)
A ideologia  que a Dra Isabel Vaz consciente ou inconscientemente  professa  (em comunhão  com parte da  nossa classe politica)   e  a que agora se chama  “neoliberal”,   teve a sua origem ,  segundo Paul Krugman, num movimento de cariz racista no Sul dos Estados Unidos na década de 1930- 1940  do século passado e evoluiu para o “conservadorismo de movimento”. O seu primeiro sucesso politico  foi o de  conseguir  eleger Ronald Reagan para a presidência dos Estados Unidos da América; e subsequentemente,  numa  estratégia transnacional,  através da "Escola de Chicago", do chamado “compromisso  de Washington" e do Banco Mundial,   globalizou-se e manipula em  proveito próprio  a riqueza gerada socialmente em grande parte do mundo.( “ A consciência de um Liberal”, Paul Krugman, premio Nobel da Economia )
 Em Portugal, alguns dos seus membros   estão conotados com o chamado  “Compromisso Portugal” ,   que, inclusivamente,   teve  alguns elementos  representados na actual reforma hospitalar de Lisboa Central.   Em texto de  apoio do programa daquela associação que se  diz " revolucionária " ( acessivel  na NET ) poder  ler-se  que  "as instituições  privadas por serem  mais eficazes devem assumir  os cuidados de saúde infantis"……. 

“Pobres de nós”
O facto da pobreza ser fundamentalmente relacional implica que todos os pobres sejam, em certo sentido, pobres de nós ( Alexandre Abreu)

Em contra posição ao darwinismo  social , neoliberal , que  considera  que a  riqueza das sociedades deve-se ao sucesso de uma elite movida pelo interesse individual (ideologia esta  como acima dissemos representada  e exportada pelo Banco Mundial e FMI  e onde fizeram escola alguns dos responsaveis pelo actual  plano de  privatização da saúde  em Portugal  Correia de Campos entre outros ;  destacam-se  em contra ciclo , entre outros,  os  países nórdicos tem resistido a este  ataque organizado . Aquelas   comunidades  que fizeram-se  representar por uma classe politica séria , não  alieando o seu  direito em auto governar-se e  desenvolvendo um  projecto inclusivo e que entre outros  assume o valor da  igualdade em direito  de  todos os seus membros terem a mesma oportunidade  em aceder o  bem estar e ao sucesso desde que se esforcem naquele sentido.
Pensamos que ao contrario do que dizem os neoliberais que a pobreza é o resultado de uma conduta negligiente  mas  que o “estado de  pobreza”, tem causas culturais e desigualdades ancestrais e que  assim tem  origem  relacional  e  que a   sua  definição  ultrapassa “a mera  privação material”    rebaixando no seu conjunto a  sociedade que a tolera   a um estatuto de indignidade e  de que  são faces da mesma moeda os beneficiados, os excluídos  ou simplesmente indiferentes. Por outras palavras uma criança que nasceu pobre deve ter a mesma possibilidade que as outras ao sucesso.
De forma a alcançar estes  objectivos , aqueles  países ( Nórdicos por exemplo)  não alienam o  controlo dos meios estratégicos  que permitem que as suas  instituições democráticas tenham condições  para  concretiza-lo e nomeadamente estabelecer uma estrategia de desenvolvimento.   Em sentido oposto a estes paises   vide  em Portugal em assistimos  privatização de bens públicos pelos partidos do governo e que seriam estratégicos para um crescimento sustentável como foi a energia e agora a  Saúde, etc.......
 Nesta linha de pensamento  realçamos  a já assumida  alienação do Hospital Publico de Loures, antes do grupo Espirito  Santo , aos Chineses  que detém o capital da seguradora  "Fidelidade", ou ao  Americanos como  já fora antes o de Cascais,  (adquirido por  grupo pelo grupo Amil que diz  Brasileiro no nome,  mas Norte Americano de facto ;  UnitedHealth Group  e o de Vila Franca pelo Grupo Mello.
Os nossos recursos públicos, ao invés de serem dirigidos para o nosso  desenvolvimento económico e humano, estão a ser  canalizados  para pagar aos prestadores privados,  as PPP e bancos falidos. 


No Orçamento de Estado   de 2015 para a Saúde 2015 ,
 840 milhões de euros estão  destinados as PP
No orçamento de estado para saúde de 2015 ,  cerca de 10% já  estão destinados  para os grupos privados e isto  sem contabilizarmos com os custos com as  indevidas  transferências de  doentes e a realização de   exames de diagnóstico regime de PPP que controlam ( Cascais, Vila Franca, Loures e Braga )   para os seus Hospitais privados ( Hospitais da Luz, CUF Descobertas e Lusíada).  
Com esta politca  alcançam o  seu  outro objectivo que é o  esvaziar  de doentes os  Hospitais Públicos que constituem as   áreas de referência naturais  daqueles Hospitais. Forjam-se assim   as   justificações para a  desactivação e encerramento  daqueles Hospitais  e inclusive o  D. Estefânia .

“Sem dó nem piedade”-  
Como de vergastadas se tratassem , ferem-nos a face as primeiras borrascas da   tempestade que não  soubemos prever e evitar .....


Algumas  noticias  "perdidas"  nas entrelinhas dos  jornais diários,   que apenas relevamos por  acaso, são   por  vezes a   janela  que deixa passar  um raio de luz  que   ilumina por breves  segundos  a nossa  consciência para  a tragédia em direcção à qual nos vão encaminhando .

Transcrevemos  abaixo duas   noticias interligadas . Delas  eflui   um odor  não recomendável    da filosofia que  impregna a actual  “reforma de saúde” e  que visa de facto  a sua privatização a prazo.



1- A primeira refere-se  à  cobrança coerciva das taxas moderadoras pelo Hospital de Leiria. 



Esta noticia  informa-nos que os gestores do Hospital Público de Leiria recusaram a  assistência a uma doente com incapacidade fisíca enquanto não saldasse as suas dívidas para com o hospital.
 

2- A segunda refere-se à directiva governamental  que justificou esta medida e estabelece que a   cobrança das taxas           moderadoras  venha a  ser  feita através das Finanças , assumindo-se  assim   um carácter claramente coercivo. A nova filosofia é  bem ilustrada pelas declaração  da  Dra. Marta Temido, presidente da Associação Portuguesa de Gestores Hospitalares


 - “Marta Temido, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, entende que “por a dívida estar prescrita não deixa de poder ser exigida”. “Essa dívida foi contraída no âmbito de um serviço prestado. Se eu tenho uma dívida que não paguei, está na minha consciência regularizá-la”, justificou.


- www.rtp.pt/noticias/index.php?article=760503&tm=2...‎
18 ago. 2014 ... A presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Marta Temido, aplaude o novo sistema de cobrança coerciva das taxas moderadoras


Em relação às taxas moderadoras haverá  a considerar que a sua introdução  teve como (pseudo) justificação  uma  função    disciplinadora do acesso.  A disciplina do acesso deve fazer-se  através da educação dos utentes e cidadãos numa persperspectiva de poupança dos bens e recursos públicos .

      

 O  objectivo estratégico  dos  seus impulsionadores   foi o de substituir o princípio da gratuitidade   pelo do   “ utilizador- pagador”. 


Esta adulteração do  princípio da universalidade do acesso   teve vários  objectivos, entre os quais o de  interiorizar  culturalmente  nas populações  o fim da gratuitidade dos serviços;  e, por outro,   impedir  aquilo que consideram a  “concorrência desleal  do Estado face às unidades privadas.  A transformação das unidades hospitalares  em EPE  e a instituição das taxas moderadores fazem parte do pacote de medidas institucionais com vista  a  facilitar a entrega aos privados da sua  gestão clínica ( como já acontece em Braga, Cascais e Loures e Vila Franca ). Notamos que hoje em dia algumas taxas moderadoras do SNS estão mais elevadas que nos hospitais privados, traduzindo uma intencionalidade na acção política  dos ministérios em descredibilizar e  esvaziar o SNS.

Alguns gestores hospitalares reflectem e defendem  estes interesses  representando uma nova   classe administrativa,     formada com este  objectivo.


O que aconteceu em Leira,   em que foi  negada assistência a uma doente por não dispor de meios para fazê-lo, não se tratou de um caso isolado  mas foi  apenas um exemplo  da ideologia fria, sequiosa, impiedosa, dos que agora nos governam.




Em contraponto afirmamos que 

1- Em acordo com o fundador do SNS,  António Arnaud, que 

“O SNS deve ser financiado segundo o  princípio de solidariedade social, através  dos nossos impostos e consignado através do   Orçamento de Estado”



 2- Negar a prestação de cuidados  médicos  a um utente que não disponha de meios financeiros  quer  no serviço público ou privado , como se procedeu no Hospital de Leiria,  consiste numa  violação grosseira e inadmissível da nossa Constituição e    dos Princípios do Juramento de  Hipócrates; e que deve assim  merecer a  repulsa  e o  seu incumprimento pelos    profissionais de saúde.

 António Arnaud tem  nos alertado  para os  “Sinais Premonitórios” da “ Nova Ordem Mundial   que  se tem  infiltrado   na sociedade e já  causa  danos  irrecuperáveis no  tecido social.
Cabe-nos como fizeram  os médicos Canadenses,  resistir  a destruição do SNS  e nomeadamente , no que nos diz respeito, a um dos seus  pilares que é  Hospital Pediátrico de Lisboa.


Poderá a alguns parecer excessiva a equiparação desta  in/evolução  com a ascensão do  regime nazista ....indagamos  se acaso se  poderá negar que as medidas em curso não reflectem  a mesma  índole  insensivel  fria calculista  e petrea 

A sugestão do FMI é «subversão» do regime, diz António Arnaud ...dinheirodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=193036‎
9 jan. 2013 ... Sugestão do FMI é «subversão» do regime, diz António Arnaud ... o aumento das taxas moderadoras e a redução do leque de cuidados ...





 Assina  Pedro Paulo Machado Alves Mendes - Ilustrações da  Jornalista Manu






terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Em defesa do Património do Hospital Miguel Bombarda e do património da Colina de Santana





Como temos divulgado , tudo indica que a  denominada  "Reforma da Rede Hospitalar"   e a transferência  para  privados dos património publico dos antigos Hospitais Civis de Lisboa  faz  parte de uma teia bem organizada e com interesses diversos que englobam desde as PPP na saúde para  construção do futuro Hospital de Todos os Santos  que tem com efeito colateral a destruição do Hospital Pediatrico de Lisboa e a transformação em condominios de luxo o espaço fisico, urbano, histórico e artistico  dos antigos Hospitais  que  é de pertença colectiva e da cidade de Lisboa

Contra esta teia neoliberal  haverá  que enaltecer o papel da Associação Art Outsider de que  recebemos a  informação e que abaixo transcrevemos  e igualmente  agradecer
1-  o esforço e papel fundamental da   Arquitecta Helena Roseta  na  Assembleia Municipal de Lisboa  para evitar que as ilegalidades se  se concretizem.
2-  o papel negativo de Manuel Salgado, responsável pelo pelouro do urbanismo que tem tentado implementa-los de forma subterrânea.

Associação Art Outsider 
Caros Amigos

Tem prosseguido a luta em várias frentes pela salvaguarda e valorização do património do Hospital Miguel Bombarda, o hospital que está em maior e imediato risco na Colina de Santana, em Lisboa, além de ser desprezado por muitos pelo preconceito e discriminação face à psiquiatria e aos doentes com perturbação.

Obteve-se em Julho/Agosto alguma divulgação pelos media.

Em anterior informação, enviámos  cópia de artigos no Público e Expresso de 28 de Junho sobre a Petição (com 850 assinaturas de médicos, outros profissionais de saúde e moradores), entregue ao Secretário de Estado da Cultura pela urgente Classificação de vários edifícios do Hospital, proposta por várias entidades e personalidades em Março de 2013, e cujo Parecer dos serviços especializados da própria SEC não só foi favorável, como propôs a classificação de todo o Hospital e da cerca, (dado o seu enorme valor e integridade) mas que, singularmente, não foi tida em consideração pela anterior Diretora-Geral, continuando semelhante situação com o actual Diretor Vassallo e Silva. 
E até hoje, passados 15 meses, não foi dada nenhuma resposta por escrito às entidades nacionais e estrangeiras que propuseram a classificação !

Recentemente, o jornal Público noticiou a tomada de posição da Assembleia Municipal de Lisboa no que toca àurgente necessidade de consolidação e restauro do Balneário D. Maria II (classificado em 2010 juntamente com o Pavilhão de Segurança) que enviamos cópia em Anexo. O Fórum Cidadania Lx já havia solicitado em 30 de Abril essas obras e a reposição urgente das proteções laterais no Balneário, com eventual financiamento pelo programa Piparu, em bem fundamentada carta aos presidentes da CML e da Estamo e ao vereador do urbanismo Manuel Salgado, sem resultados visíveis.

Também se envia em Anexo um oportuno artigo da Revista da Ordem dos Médicos de Julho/Agosto (com uma circulação de mais de 20 000 exemplares) sobre a mencionada Petição ao Secretário de Estado da Cultura e sobre a sujidade, as infiltrações e danos que se estão a verificar no edifício principal e outros, devido à ausência de qualquer limpeza e simples reparação de telhados por parte da Estamo, a empresa "proprietária", pertencente ao Ministério das Finanças, que com a colaboração e aval do Serviço de Urbanismo da CML, apresentou os projetos  de 2013 para a Colina de Santana, rejeitados por largos milhares de cidadãos em consulta, pela opinião pública e pela Assembleia Municipal. 

Também em Anexo enviamos outro artigo do Medi.com, Boletim da Secção Regional do Sul  da Ordem dos Médicos, transcrevendo a carta ao Presidente da C M L, Dr. António Costa, solicitando a urgente  intervenção da edilidade para que a Estamo proceda às reparações de telhados e de rombos em tetos provocados por infiltrações em vários locais no Hospital, carta subscrita pelos presidentes da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Sociedade Portuguesa de Neurologia, Sociedade Portuguesa de Arte Terapia, Associação Portuguesa de Arte Outsider, Forum Cidadania Lx, e pelo Padre Visitador da Congregação da Missão de S. Vicente de Paulo, e pela Associação para a Valorização da Colina de Santana.

Entretanto, recebemos um ofício da Presidente da Assembleia Municipal,  Arq. Helena Roseta, do dia 7 de Agosto, em que dá conta do Relatório da visita em 25 de Junho ao Hospital da Comissão de Acompanhamento para a Colina de Santana que constatou a degradação existente, bem como informa que a Assembleia Municipal enviou ofícios a diversos organismos do Governo e Câmara Municipal de Lisboa, denunciando a situação e solicitando reparações urgentes.

Informamos que apesar do desleixo a que tem estado votado, tem aumentado o número de visitantes (estrangeiros e portugueses) do Museu do Hospital, de Arte Outsider, Psiquiatria, Neurologia e parte do edificado, aberto desde 2004, segundo a recente tendência internacional de combater a discriminação e promover a auto estima, herdeiro de um dos primeiros museus do mundo de arte de doentes, fundado em 1894 pelo Prof. Miguel Bombarda. (sábados das 14 às 18h e quartas das 11 às 13h) 

Agradecemos o apoio de todos e apelamos à divulgação destas informações junto de amigos e conhecidos.

Saudações

Comissão para a Salvaguarda do Património


domingo, 27 de Julho de 2014

PARABÉNS HOSPITAL D. ESTEFÂNIA - 17 de JULHO - 137 ANOS AO SERVIÇO DAS CRIANÇAS PORTUGUESAS...... A "motivação" que esta subjacente ao nascimento de uma "Obra" , o seu valor social e longevidade , se articulam numa função de tipo "causa e efeito"..... Nesta perspectiva, analisar as "motivações " dos gestores que defendem o projecto actual , que prevê um modelo monobloco e generalista para o futuro HTS , nos permitirá a melhor balizar as expectativas sobre aquele projecto em contraponto aquelas que tem sido oficialmente propagandeadas.............








Por outras palavras:


Caso averiguemos  sobre  os motivos que estão na origem de  "Obra ou Instituição de Serviço Publico"  ,  permite-nos  a  avaliar  a  consistência dos seus objectivos e  desta forma melhor  compreender as causas do seu sucesso  e longevidade ou pelo contrario do seu declínio ou revés



Utilizaremos este método ao Hospital Pediátrico de Lisboa  que no Dia 17 de Julho passado  comemorou 137 Anos .  Analisaremos em seguida as motivações que estiveram na origem da criação do Hospital D. Estefânia ,  contrapondo-as  a seguir,  as motivações  que estão  na origem da sua   diluição  no Centro Hospitalar de  Lisboa Central  e  a sua futura  destruição quando da transferência para o futuro  HTS.





1- As motivações que estiveram na origem da construção do Hospital D. Estefânia



A futura Rainha D. Estefânia , dotada de uma personalidade   inteligente e sensível  e com preocupações sociais   ,  beneficiou de uma  educação  que aprimorou as suas qualidades naturais. Foi  influenciada pelo ambiente de   progresso civilizacional  que se vivia então na  Europa  Moderna.   A partir da Revolução Francesa deram-se passos decisivos na compreensão da  especificidade Psico biológica da criança  e dos os  seus direitos.   Estes avanços se  reflectiram em muitos campos e entre eles  , na  criação do Hospitais Pediatricos , que  passados mais de cem anos,  , são ainda  centros de referência  e os principais responsáveis pela criação conhecimento nas múltiplas áreas em que se ramificou a pediatria.   

D. Estefânia , já como Rainha de Portugal veio a beneficiar –nos  com esta sua  visão progressista e culta.  Ao invés de actividades fúteis, dedicava os  seus tempos livres  a visitava dos doentes  hospitalizados.  Ao se deslocar as  enfermarias do H.S.José chocava-se e criticava a falta de condições  e promiscuidade a que estavam votadas as  crianças internadas.

A rejeição daquele ambiente  ainda medieval constituiu  a  motivação  causal  que  a tomar a levou a tomar   iniciativa de   construir um  Hospital Pediátrico para Lisboa.

Para  concretizar esta ideia, não se ficou só  por palavras e decretos de boas intenções ,   despojou-se do seu dote de casamento e  dou-o   para  aquele fim . Só  depois da sua morte ,  D. Pedro V  e D. Luís  conseguiram concluir aquele  sonho

A sua inspiração e obra foram um  sucesso   e que  perdura já há quase um século e meio. O apreço por aquela instituição  dispensa palavras Ainda recentemente cerca de  80.000 portugueses reuniram-se   num abaixo assinado, enviado ao Presidente da Republica  protestando contra a   desactivação e destruição em curso , mas  sem nenhuma consequência. Infelizmente  a inter relação entre as elites politicas e o poder financeiro corrompeu todas as instituições democraticas.



Concluindo ,  sintetizamos    as duas motivações que estão na origem da  concretização e sucesso desta  obra:



-      O amor e dedicação de D. Estefânia a  infância,  caracteristicamente  frágil e desprotegida



-      O  despojo dos seus  próprios   bens materiais  de forma que aquele objectivo se concretizasse.



A titulo de curiosidade  citamos   que as crónicas da época  que opositores ao projecto  argumentavam  que a construção de um Hospital dedicado as crianças  era um luxo injustificado nas condições de pobreza do Pais.  











2- Analisemos agora as  motivações que estão subjacentes  a  sua actual  desarticulação agora e na  origem do actual projecto do HTS.


Os  argumentos  e motivações teóricas daqueles  que se empenham e conduzem a  destruição  do hospital pediátrico de Lisboa sintetizam-se  nas três  preposições que se seguem  :

·          O Pais  é  pobre e que  assim apesar de  desejável  a existência de um Hospital Pediátrico, este   esta   acima das nossas posses.
·         Um Hospital Generalista indiferenciado  é mais económico e funcional pois permite aproveitar espaços, equipamentos e pessoal qualificado.
·         Que os Hospitais Pediatricos  já estão  ultrapassados.



A primeira constatação é que qualquer destes argumentos reporta-se unicamente  a economia de custos. Não entram considerações sobre os direitos e caracteristicas da infância,  uma estratégia de futuro para a  comunidade , ou mesmo na linha do seu pensamento gestionário,  a economia de meios e eficácia do tratamento quando se concentra massa critica de  doenças mais complexas num único centro de referenciação
 Não poderia ser doutra forma pois arautos da actual reforma hospitalar são gestores e  tem  como principal  oficio os números . O mais  grave de  tudo é que muitos deles exercem os seus cargos em conflito de interesses pois estão ligados ideológica ou profissionalmente ao grupos financeiros ligados a saúde.
Dispensaremos de analisar os  dois últimos argumentos ,  pois já os criticamos  anteriormente.  Não podemos  deixar   de salientar de que a sua  afirmação de  que os Hospitais Pediatricos estão ultrapassados . Esta preposição  esta desvinculada  da verdade e da realidade  e desabona a   honestidade intelectual  dos que a veiculam.
..... Não fosse assim, em todo o mundo  não estariam  a  construir novos  ou  a reformar os Hospitais Pediatricos antigos...Ex:  http://www.rch.org.au/rch/about/Pediatric Hospital Melbourne
Bem analisemos  "as motivações" dos seus defensores
Dando o beneficio da duvida , admitimos como  sincera a sua  preocupação e  argumentação  tivessem  por objectivo impedir  o  desbarato dos  dinheiros públicos devido e assim  poupa-lo para fins que a sociedade  entendesse mais importante ,  no caso a assistência hospitalar especializada as crianças portuguesas.
Na expectativa  da sua honestidade intelectual ,  pressuporiamos   que por coerência,  os seus defensores  tivessem na sua   Folha de Serviços a Nação o registro de  um passado exemplar no  rigor no controlo dos dinheiros públicos e que na sua vida pessoal agissem em conformidade.
Averiguemos  assim  o passado de  apenas  dos   dois  protagonistas  iniciais  do projecto do Futuro HTS . Ao faze-lo  não pretendemos  personalizar o processo, pois  eles representam apenas o  rosto dos projectos financeiros  e serão individualmente   "boas pessoas".
Referimos o Eng. Manuel Pinho  e o Eng. Gestor Pedro Dias Alves.
Os seus nomes estão ligados pois foi , Manuel Pinho  quando  Ministro das Finanças de Sócrates  que escolheu e nomeou  o Engenheiro Pedro Dias Alves  para orientar o concurso da PPP do Futuro Hospital de Todos os Santos.
Pedro Dias Alves,  antes havia ocupado cargos de  Secretario de Estado do então  Ministro  Cavaco Silva e depois foi   gestor pelo grupo Mello Saúde no hospital  Amadora Sintra . Como vemos  "a cor politica" serve apenas para confundir-nos. 
Recordemos que aquela gestão foi controversa  e afirma-se um montante de prejuízo aos contribuentes de 45 milhões de euros devido a sobre facturação de exames.  Este montante  permitiria construir um novo Hospital Pediatrico em Lisboa.
Notamos ainda que todo o Plano Funcional  proposto para o futuro HTS proposto por aqueleSr.  Engenheiro Gestor reflecte uma perspectiva de hospital privado voltado para o lucro máximo.
No conflito de contas do H. Amadora Sintra,  foi elucidativa a tomada de posição de  Correia de Campos, então Ministro  Saúde  em beneficio do grupo Mello pondo em causa os funcionários do M.Saúde que denunciaram as supostas irregularidades , o que mostra  o "acôrdo de regime" que vigora para alem da propaganda eleitoral em dizem defender o SNS.  Este processo  foi abafado num tribunal arbitral criado a medida.

Manuel Pinho, depois de se demitir do Governo de Sócrates para alem de receber um salário da EDP para dar aulas numa Universidade Americana., acumulou funções de  gestor do grupo BES Angola ,  e  apesar do prejuízo de 4,9 bilhões daquela instituição , exige agora   pelos seus “Serviços “ uma “reforma” de  3,5 milhões de Euros .!!!!!!
A titulo de conclusão , apercebemos de que a preocupação destes dois gestores  e outros  que os nomearam , com os  gastos excessivos que acarretaria  a construção  de um Hospital Pediatrico  em  Lisboa  é sincera.
Julgamos, na sequência do acima exposto, de  que  a sua preocupação com  os recursos "desperdiçados"  com as nossas crianças poderiam  vir a se  repercutir negativamente   nos lucros  que  previamente   contabilizados ,  nos  salários milionários e  luvas  que reservam  para si ou para os s ex  ministros  e  gestores envolvidos nas negociatas das PPP para a  construção dos novos Hospitais. Caso em erro  desde já nos desculpamos.
Acresce a esta motivação, uma outra , a  de apropriação dos espaços dos antigos Hospitais  pela Estamo e que depois serão alienados a construção de condominios de luxo. ( ver artigo anterior no Blog : http://campanhapelohde.blogspot.pt/2013/11/a-reforma-da-rede-hospitalar-de-lisboa.html) . 
E já agora seria interessante ouvir  a opinião que teriam  destes senhores , caso  tivessem consciência desta realidade pantanosa ,   algumas das nossas futuras mães, aquelas que estão  obrigadas  devido a crise  a recorrer a internamentos  nos Hospitais para alimentarem a sua gestação ou das mães ou mesmo das mães e  crianças de Angola que vivem em condições infra humanas   ( 5 biliões de Euros de prejuízo do BES em Angola onde Manuel  Pinho foi Gestor )
 Tudo indica  de  que a conflitualidade existente no concurso da PPP do futuro Hospital  de Todos os Santos reflicta apenas a disputa  entre  o Grupo Mello Saúde e o BES. 
Os lucros contratos das PPP , recheados de clausulas secretas ,  será  em  ultima instância a motivação principal  que esta  origem do actual projecto  de organização da rede hospitalar  e que  tem como  um dos efeitos colaterais   a destruição do Hospital Pediatrico de Lisboa .

Neste momento outro Gestor ligado que esteve  ligado a  finança,  Luis Filipe Pereira, reavaliou o concurso pois o anterior foi considerado ilegal. 
O nosso dinheiro é desperdiçado em concursos viciados e  todos estão  impunes. 


Toda a "não verdade "  para poder vingar tem que ter uma parte de "verdade" . 
A "verdade" com que estes   gestores encobrem  as suas motivações  reais é a   necessidade  real de reorganização da rede Hospitalar e Materno Infantil. 
 Esta reforma para ser idonea   deveria   ser conduzida    por profissionais com  reconhecida competência  dedicados a criança não sendo permitida nos grupos de trabalho, participantes com  conflitos de interesses,  nomeadamente com  qualquer  ligação ao  grupos financeiros ligados a saúde como deliberadamente  aconteceu neste concurso. 
Só um concurso com "outras" motivações mereceria a confiança da população e profissionais.

Finalizando, resta-nos indagar : como inverter este processo  impedir  que instituições históricas  sejam  destruídas pela voracidade dos  interesses especulativos ? Não temos a resposta cabal, mas existe uma certeza:
O nosso animo e coragem são determinantes.
  


Assina:  Jornalista Nanu .  Responsabilza-se Pedro Paulo Mendes